quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tá é doido, é? Márcio Jerry pede à imprensa para que não divulgue “ações criminosas”

jerry-2O secretário de Comunicação e Assuntos Políticos do governo Flávio Dino (PCdoB), Márcio Jerry (PCdoB), provocou espanto na imprensa maranhense ao fazer uma inusitada (para dizer o mínimo) proposta mesta semana.
Quer o comunista um “pacto” de jornalistas, radialistas e blogueiros com o Governo do Estado, para esconder da sociedade a existência de ações criminosas como os recentes ataques a ônibus registrados na Região Metropolitana de São Luís.
A tresloucada ideia, como de costume, foi externada pelas redes sociais.
“Fazemos uma conclamação pública a jornalistas, radialistas e blogueiros: não repercutir boatos e ações criminosas. Unir no combate ao crime”, escreveu.
A reação veio rápido.
O jornalista Nonato Reis diz que Jerry “perdeu o juízo”. Para Roberto Kenard, o principal auxiliar do governador cometeu uma “barbaridade” porque “tem o DNA autoritário da esquerda brasileira”.
jerry-1Após as críticas, Márcio Jerry se defendeu.
Disse que não pediu que ninguém deixasse de noticiar os ataques. “Me referi a boatos”, afirmou.
Não, Márcio. Você pediu à imprensa para “não repercutir boatos e ações criminosas”.
Releia o que escreveu…
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Abaixo os textos de Reis e Kenard sobre o assunto.
MÁRCIO JERRY PERDEU O JUÍZO – Nonato Reis
Mesmo sem a vivência no ambiente das redações, o jornalista Márcio Jerry, hoje transformado em secretário todo-poderoso de Flávio Dino, construiu uma reputação sólida como professor acadêmico do curso de Comunicação Social da UFMA. É um teórico, um formulador de políticas de comunicação. Daí o espanto com a sua nota, publicada ontem em redes sociais, em que exorta jornalistas, radialistas e blogueiros a “não repercutir boatos e ações criminosas”. Com relação a boatos, estou de acordo. Qualquer informação deve ser cuidadosamente checada, antes de divulgada. Isto constitui o óbvio ululante. Querer que não se divulguem as ações patrocinadas por bandidas, além de soar pretensioso, constitui desrespeito com a profissão, em primeiro plano, e com a sociedade, que é a legítima destinatária da informação. Em outro trecho de sua postagem, Márcio Jerry conclama seus colegas de profissão a selarem um pacto com o governo contra a criminalidade. Como tese, pode até parecer bonito. Na prática é um desastre, porque embute a ideia de uma defesa cega do poder constituído e elimina do jornalismo a sua essência, que se pauta na investigação e na crítica. A imprensa não tem que fazer pacto com quem quer que seja, porque todas as vezes em que isso acontece é a sociedade que se vê golpeada no seu direito de ser bem informada. O único pacto imaginável para a mídia é com o interesse público. Eu nem costumo dar ressonância a anomalias desse gênero. Faço-o em atenção à biografia do Márcio e também para que ele reflita sobre tamanha bobagem, se é que ainda lhe sobra um pingo de humildade, se é que algum dia a teve.
Texto de Roberto Kenard
Acabo de receber o texto de Márcio Jerry, secretário e braço direito do governador Flávio Dino, no qual ele “conclama” jornalistas, radialistas e blogueiros a não divulgarem ações criminosas, no caso específico dos ataques de bandidos a ônibus etc.
Custei a acreditar, mas Jerry escreveu essa barbaridade. E ele é jornalista!!
Porém, mais do que jornalista, ele tem o DNA autoritário da esquerda brasileira. 
Reparem bem. Criminosos incendeiam ônibus. Nós jornalistas devemos fazer de conta que nada houve. Dessa forma, e só dessa forma, estaremos contribuindo com o governo no combate ao crime. 
Isso fede a autoritarismo. Além de ser absolutamente inócuo. A ditadura militar, no Brasil, fazia a mesma exigência nas redações de jornais, tevês e rádios. Um dos argumentos da ditadura militar era de que a divulgação de ações criminosas incentivava o crime. 
Márcio Jerry pensa de maneira bem próxima: ao divulgar ações criminosas, a imprensa e blogs fazem o jogo dos bandidos.
E a população? A população não tem o direito de saber o que se passa? Inclusive para se proteger? 
Como digo (e isso já foi comprovado), esquerda e direita autoritária vêm da mesma árvore.
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