sexta-feira, 8 de julho de 2016

Clubes e atletas do MA podem ter envolvimento esquema internacional de manipulação de resultados

Autoridades de São Paulo divulgaram esquema de manipulação de jogos de futebol em vários estados do Brasil e entidade estadual inicia investigação

Antônio Américo, presidente da FMF, ao lado do diretor de competições da entidade, Antônio Henrique (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)
SÃO LUÍS – Caiu como uma bomba na Federação Maranhense de Futebol (FMF) a possibilidade de o futebol do estado estar envolvido em um gigantesco esquema de propina e fraude, revelado recentemente por promotores e policiais de São Paulo. Segundo as investigações, apostadores pagavam jogadores e técnicos para determinar o resultado de jogos de divisões menores de campeonatos estaduais em vários estados do Brasil. Sete pessoas foram presas em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. O presidente da FMF, Antônio Américo, marcou, na manhã desta sexta-feira(8), uma reunião de urgência para falar sobre a situação e afirmou que vai repassar à justiça todas a informações apuradas. O dirigente ressaltou, também, que deve mandar alguém do setor jurídico da entidade nos próximos dias para São Paulo.

Em entrevista ao OEstadoMA.com, Antônio Américo mostrou bastante preocupação com a situação e começou a conversa com a frase: “Era só o que me faltava”. O dirigente disse que estava iniciando, nesta manhã, uma reunião com a diretoria da entidade após saber da notícia de que jogadores e clubes do Maranhão podem ter envolvimento no esquema que, segundo as autoridades paulistas, seria comandando por uma quadrilha da Ásia.

“Estou, neste momento, iniciando uma reunião com a nossa diretoria para conversarmos sobre essa situação. Pretendo, também, nas próximas horas, falar com todas pessoas da entidade que podem nos ajudar neste sentido. Assim que fiquei sabendo dessa notícia iniciei logo as conversas”, disse o dirigente.

Segundo informações do jornal O Globo, a operação “Game Over” (fim do jogo, em português) investiga uma quadrilha que pagava propinas para fraudar os placares de jogos das séries A-2 e A-3 do Paulista, além de divisões principais de campeonatos nas regiões Norte e Nordeste, beneficiando apostadores na Indonésia, Malásia e China.

Caso de polícia

O presidente da Federação Maranhense disse que as apurações feitas pela FMF serão todas repassadas para o Ministério Público e lembrou que, como se trata de um caso de polícia, os resultados esportivos não devem ser alterados, porém, todos os envolvidos serão julgados pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Estado. “Nada muda [resultados de partida], mas, tudo que nós descobrimos, será repassado ao Ministério Público e à Justiça. Quanto a questões esportivas, nós vamos encaminhar para o tribunal competente”, disse Américo.

A reportagem tentou entrar em contato com dirigente de clubes da capital mas, até o momento, não conseguiu contato.

Informações da BBC Brasil dão conta de que essas investigações partiram do departamento de segurança da Fifa. Ao suspeitar de fraudes, a entidade teria contratado a empresa europeia de auditoria Indexx Data para iniciar uma análise mais profunda dos fatos.Os valores oferecidos a técnicos e jogadores para fraudar o resultado de uma partida variavam entre US$ 20 mil (R$ 66 mil) e US$ 30 mil (R$ 100 mil).
 De O Estado/MA
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