quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Comer em um período de 6h seria benéfico

Novo estudo sugere que jantar seja feito até as 14h
Novo estudo sugere que jantar seja feito até as 14h (Foto: Divulgação)
RIO - Realizar todas as suas refeições dentro de uma janela de apenas seis horas pode soar como algum tipo novo de dieta da moda, mas um estudo sugere que jantar até as 14h (!!!) - ou simplesmente ignorar essa refeição - reduz os picos de fome e aumenta a queima de gordura. Isso não necessariamente ajuda a emagrecer, mas melhora o metabolismo, alegam os cientistas.
Os resultados do estudo ainda são preliminares e não foram publicados em uma revista acadêmica, mas foram apresentados esta semana na reunião anual da Sociedade de Obesidade, nos EUA. É a primeira experiência humana de "alimentação precoce com restrição de tempo", uma estratégia na qual as pessoas fazem sua última refeição do dia no meio da tarde e não comem novamente até o café da manhã.
Este tipo de plano alimentar tem se mostrado promissor em estudos com animais. Camundongos que são alimentados com dietas de restrição de tempo tendem a perder mais gordura e têm menor risco de doenças crônicas do que aqueles cujas refeições são mais espaçadas. Alguns pesquisadores acreditam que horários semelhantes podem ser benéficos para pessoas também, uma vez que o metabolismo humano segue um relógio interno e, em muitos aspectos, funciona melhor pela manhã.
Costume antigo
É bom lembrar que, por muito tempo, os seres humanos costumaram jantar no meio da tarde, antes de a energia elétrica ser usada nas casas. Partindo desse raciocínio, não seria tão anti-natural alguém adotar esse hábito.
Para testar essa estratégia, pesquisadores do Centro de Pesquisa Biomédica da Universidade Pennington, juntamente com cientistas de alguns outros centros universitários, acompanharam 11 homens e mulheres com sobrepeso, entre 20 e 45 anos, durante dois períodos de quatro dias. No primeiro período, os participantes comeram todas as suas refeições entre as 8h da manhã e as 14h da tarde.
Durante o outro período, eles seguiram um horário de alimentação de um americano médio, com refeições entre 8h e 20h. Ambas as dietas incluíram as mesmas quantidades diárias de calorias e eram semelhantes, exceto quanto aos horários. No último dia de cada dieta, os pesquisadores realizaram 24 horas de testes metabólicos nos participantes e fizeram um questionário sobre seus níveis de fome.
Tratar obesidade
A dieta com restrição de tempo não afetou a quantidade de calorias que os participantes queimaram. Mas reduziu as suas oscilações diárias de fome e aumentou a quantidade de gordura queimada durante várias horas à noite. A dieta também melhorou a flexibilidade metabólica, que é a capacidade do corpo de alternar entre a queima de carboidratos e gordura.
Assim, restringir as refeições a uma janela de tempo menor ajuda com a perda de peso — ou melhorar outros aspectos da saúde? Os pesquisadores não sabem, mas dizem que é uma possibilidade.
“Descobrimos que comer entre 8h e 14h, seguido de um jejum diário de 18 horas, manteve os níveis de saciedade ainda mais altos durante todo o dia, em comparação com as refeições entre 8h e 20h. Isso pode, portanto, impactar positivamente a composição corporal, tanto pelo aumento da oxidação de gordura quanto pela redução da ingestão de energia”, disse a autora principal Courtney Peterson, professora assistente de ciências da nutrição na Universidade de Alabama Birmingham.
Professor emérito do Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade de Wisconsin, Dale Schoeller diz que os resultados sugerem - pela primeira vez com teste em pessoas - que a hora da refeição tem um impacto no metabolismo. “Com pesquisas sobre alimentação com restrição de tempo em seres humanos, podemos ter um panorama mais completo de como este método inovador pode ajudar a prevenir e tratar a obesidade”, afirma Schoeller, que é um porta-voz da Sociedade de Obesidade e não esteve envolvido no estudo.
Controvérsias
A conclusão do estudo, porém, não pode ser generalizada, alerta a especialista em nutrição Christine Gerbstadt, autora do livro "Doctor's detox diet", ainda sem título em português. Segundo ela, os efeitos metabólicos do horário da refeição são uma "questão interessante", mas ela aponta que o grupo de teste do estudo foi muito pequeno e só incluiu jovens adultos saudáveis, embora estivessem acima do peso.
“É improvável que esses resultados possam ser generalizados para todos os americanos. Especialmente aqueles que são mais velhos, que têm problemas de saúde como diabetes, pressão alta ou colesterol alto e aqueles que não têm o hábito de se exercitar”, disse ela à "Time Magazine".
Os riscos potenciais para estes e outros grupos - como o modo como os medicamentos de uso contínuo podem ser afetados por essa mudança de horário - não foram estudados, destaca Christine. “O controle da fome tem benefícios financeiros e de saúde, mas questiono a segurança do jejum diário em todas as populações. Certamente, crianças e adultos com mais de 50 anos devem ser avisados para não tentar isso”, diz ela, referindo-se ao longo intervalo entre o jantar e o café da manhã.
Além disso, decidir comer um jantar tão cedo todos os dias — ou simplesmente não jantar — exigiria uma grande mudança na rotina da maioria das pessoas. “Este padrão alimentar não se adequa ao estilo de vida da maioria”, afirma ela.
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