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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Suspeita de matar homem conhecido por velar a mãe sozinho se disse preocupada com vítima em áudio: 'Desesperada'

José Ricardo foi agredido e queimado dentro de casa, foi socorrido e morreu no hospital. Polícia Civil prendeu a investigada e o jovem que ela contratou pela internet para ajudá-la no crime.


Uma jovem de 22 anos que foi presa suspeita de matar o homem que ficou famoso após velar a mãe sozinho chegou a se dizer preocupada com a vítima em áudio. Segundo a Polícia Civil, ela enviou a gravação a amigos e parentes com voz trêmula após José Ricardo Fernandes Ribeiro, 44, ser atacado em casa (ouça acima).

Na gravação, ela se mostrava preocupada com José Ricardo, que sofria de doença renal crônica e a quem ela ajudava com tarefas de casa e a arrecadar doações, que seriam para o tratamento de saúde dele. Segundo as investigações, mulher planejou o crime para ficar com dinheiro de vaquinha feita para ele, que acumulou R$ 40 mil.

José Ricardo, 44, e jovem de 22 anos que o ajudava; ela foi presa suspeita de matá-lo — Foto: Reprodução/Polícia Civil

“Estou desesperada. Eu quero saber cadê o homem. Os médicos não sabem da situação do homem, que ele precisa de hemodiálise, não sabem os problemas que o homem tem, alergia a remédios. Eu vou tentar entrar em contato, qualquer coisa você me avisa aqui se achar ele”, disse na gravação.

Segundo as investigações, ela enviou a mensagem após a vítima ser agredida e queimada em casa, na sexta-feira (10). José morreu no domingo seguinte, mesmo após ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital de Urgências Governador Otávio Laje de Siqueira (Hugol).


Parentes de José Ricardo Fernandes Ribeiro, 44 anos, conseguiram enterrá-lo na quarta-feira (15), em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capita.

Os familiares, que não quiseram ter as identidades divulgadas, disseram que ele foi velado pelo filho a ex-esposa e alguns amigos. A cerimônia aconteceu com ajuda de doações de conterrâneos da vítima, que é de São Domingos, no nordeste goiano.

A família chegou a pedir "que seja feita justiça" pela morte de José Ribeiro.

Planejamento e motivo
As investigações apontaram que a jovem presa se aproximou da vítima ainda em 2019, depois que ele apareceu nas redes sociais contando que teve de velar a mãe sozinho.

A mulher detida ajudou a vítima a juntar R$ 40 mil em doações para tratamento de uma doença renal crônica, combinou de receber parte do valor, mas não foi paga, segundo a Polícia Civil.

Também de acordo com a corporação, ao ver que não receberia nenhuma fração do dinheiro, criou um perfil falso em uma rede social e contratou um "matador de aluguel" por R$ 2 mil para ajudá-la a cometer o crime, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

De acordo com a Polícia Civil, apesar dos esforços, a mulher não conseguiu pegar nenhuma parte do dinheiro. Ela e o "matador" foram presos na terça-feira (14).


Responsável pelo caso, o delegado Carlos Levergger deve indiciar os presos por homicídio e furto - já que a vítima teve celular, aparelho de televisão e carteira levados ao ser atacado como forma de sugerir que ele fora vítima de um latrocínio.

O G1 não conseguiu descobrir quem são os responsáveis pela defesa dos presos para pedir um posicionamento sobre o caso. Os nomes deles não foram divulgados pela polícia.

José Ricardo Fernandes Ribeiro ao velar a mãe sozinho em Goiânia Goiás — Foto: Reprodução/Facebook

Crime
A Polícia Civil apurou que, na sexta-feira, a mulher e o "matador de aluguel" foram à casa de José Ricardo. Ela chegou antes e foi autorizada a entrar na quitinete pela própria vítima. Mais tarde, o jovem chegou se passando por um doador de cesta básica e também entrou. A chegada dele foi registrada por uma câmera de segurança.

As investigações apontaram que, horas depois, a vítima foi "gravemente espancada" pelo jovem e que, não convencida de que a vítima morreria, a mulher ateou fogo ao corpo dele.

O quarto e o banheiro da quitinete em que a vítima morava ficaram danificados. José Ricardo foi socorrido por vizinhos.

Colchão de José Ricardo, 44, após vítima ter sido espancada e queimada no quarto — Foto: Reprodução/Polícia Civil

Perito criminal, Olegário Augusto disse que não há dúvidas de que o fogo foi proposital. “Não foi acidental. Não existiam focos de origem elétrica. O foco estava concentrado no quarto da vítima, de maneira que qualquer acidente por causa de botijão de gás estava também descartado”, disse.


do g1.globo

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