Carro em rampa e banheiro sem porta: a saga de um cadeirante no Enem em São Luís


Alex Nunes fez desabafo nas redes sociais após ter dificuldades para entrar em escola no bairro São Cristóvão, na capital.

Carro em rampa e banheiro sem porta: a saga de um cadeirante no Enem em São Luís

Para fazer jus ao título de "vestibular mais democrático" do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem investido em 15 recursos diferentes para pessoas com deficiência realizarem provas com comodidade. Elas, no entanto, ainda precisam enfrentar barreiras, como o caso do Alex Nunes, candidato cadeirante que enfrentou dificuldades com acessibilidade na escola que prestou o exame, no bairro do São Cristóvão, em São Luís.

Em todo o Brasil, cerca de 50 mil inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) solicitaram atendimento especializado para fazer o exame, o equivalente a 1% dos 5,1 milhões de participantes.
Na noite desse domingo (3), após o primeiro dia de provas, Alex publicou nas redes sociais um desabafo sobre a experiência na CE Professora Maria do Socorro Almeida. "Atualmente sou cadeirante e quando fiz minha inscrição, informei que eu precisaria de acessibilidade para realizar a prova. Tudo foi deferido com tranquilidade, o Inep me informou que eu seria encaminhado para uma escola com acessibilidade.

 No dia da prova, consegui ter acesso ao estacionamento, mas quando me encaminhei pra entrar na escola, me deparei com uma cena que bem em frente à rampa de acesso tinha um carro estacionado. Depois me informaram que era de uma funcionária", disse Alex ao Imirante.com.

Segundo o candidato, os funcionários pediram para carregá-lo para dentro da escola. Pedido negado. Alex fez questão de subir pela rampa e entrar na escola como todo os outros. Depois de um tempo de espera, a proprietária tirou o veículo da rampa. Começaria, então a segunda etapa da saga de Alex para fazer o Enem: o banheiro.

"Entre na escola, fui fazer a prova e precisei ir ao banheiro. De fato, ele estava todo adaptado, mas sem estrutura. Ao fechar a porta, o funcionário da escola pediu que eu não fechasse. Questionei, mas ele disse que não tinha lâmpada. Tive que fazer 'meu procedimento' de porta aberta", relatou Alex, acrescentando que levou a reclamação à direção da escola.

Prova feita, passado o nervosismo natural de quem faz o exame, era hora de ir para casa. No entanto, a rampa que estava bloqueada por um carro na entrada da prova, voltou a ser bloqueada por um outro carro na saída. Dessa vez, ninguém soube identificar o proprietário e Alex precisou sair por outra saída e, segundo ele, alongar o caminho em cerca de 100 metros para chegar ao estacionamento onde estava seu carro adaptado.

"Minha revolta é que ao fazer a inscrição, me identifiquei como cadeirante. A escola sabia que ia receber candidatos cadeirantes e eles precisavam estar organizados em relação a isso. Ruim seria se eu não tivesse avisado, mas estava tudo certo um mês antes", completou.

Procurado pela reportagem no início da manhã desta segunda-feira (4), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Já o Governo do Maranhão disse, em nota, que a logística da realização do Enem é de responsabilidade do Inep ou da Fundação Getúlio Vargas. Confira a nota na íntegra:


A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) lamenta o ocorrido, mas informa que o estacionamento de um veículo em frente à rampa de acessibilidade à escola, foge ao controle da secretaria, uma vez que nos dias de prova do Enem os prédios escolares são entregues ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e à Fundação Getúlio Vargas, instituições responsáveis pela logística de realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

do Imirante.com

Atenção! Comentários abusivos e desrespeitosos serão deletados. Nem tente.
EmoticonEmoticon